Neste 11 de outubro, quando Mato Grosso do Sul completa 49 anos de criação, Corumbá contribui para que o Estado tenha um motivo a mais para celebrar uma vocação econômica: é de MS o município que tem o segundo maior rebanho bovino do Brasil. Uma força econômica que vem sendo destaque há mais de 20 anos. Os dados mais recentes foram divulgados com a versão atualizada da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada pelo IBGE no dia 30 de setembro.
De acordo com o levantamento, Corumbá reúne 2,2 milhões de cabeças de gado. O município fica atrás apenas de São Félix do Xingu, no Pará, que lidera o ranking nacional com 2,7 milhões de cabeças. Completam a lista dos cinco maiores rebanhos Porto Velho (RO), com 1,7 milhão; Cáceres (MT), com 1,4 milhão; e Marabá (PA), com 1,3 milhão.
Mais de 20 anos no topo do ranking nacional
A posição de destaque não é recente. As divulgações da PPM mostram que Corumbá, em Mato Grosso do Sul, está entre os dois maiores rebanhos bovinos do país há mais de duas décadas.
Nos anos 2000, o município liderou o ranking nacional. Na pesquisa de 2003, o IBGE apontava Corumbá e Ribas do Rio Pardo, ambos em Mato Grosso do Sul, como os principais municípios produtores de bovinos do Brasil. Corumbá aparece na primeira posição nas divulgações de 2006, 2007, 2008 e 2009. Em 2008, o município tinha 1.935.896 cabeças. Em 2009, eram cerca de 1,97 milhão, o equivalente a 1% de todo o rebanho brasileiro.
A partir de 2010, São Félix do Xingu (PA) assumiu a liderança, e Corumbá passou a figurar como segundo colocado. É a posição em que o município aparece nas divulgações da pesquisa de 2010, 2014, 2019, 2024 e, agora, 2025. Nesse período, o rebanho corumbaense passou de 1,8 milhão de cabeças, registrado em 2014 e 2019, para 2,2 milhões, em 2024 e 2025.
Corumbá, o celeiro de bezerros de MS
Os boletins de bovinocultura de corte do Sistema Famasul (SigaBov), elaborados com dados da Iagro, mostram que o peso de Corumbá na economia de Mato Grosso do Sul vai além do tamanho do rebanho. O município é o principal fornecedor de bezerros do Estado e abastece a engorda de todo o resto da federação.
Corumbá lidera o ranking estadual de movimentação de animais para engorda pelo terceiro ano seguido. Foram 752.240 animais em 2023, 857.800 em 2024 e 865.940 em 2025. Em 2025, o volume foi 68% maior que o do segundo colocado, Campo Grande, com 515.443 animais. Corumbá também foi, em 2024 e em 2025, o município com o maior número de bovinos movimentados para reprodução no estado.
Na movimentação de bezerros de 0 a 12 meses, Corumbá ficou em primeiro lugar em todos os anos de 2020 a 2023. Em 2023, foram 267.903 animais, o equivalente a 8,12% de todo o estado. Segundo a Famasul, os bezerros nascidos em Corumbá não abastecem apenas Mato Grosso do Sul: também seguem para outros estados, como São Paulo e Mato Grosso.
O Pantanal em números
Ainda de acordo com os boletins da Famasul, o Pantanal ocupa cerca de 9,73 milhões de hectares em Mato Grosso do Sul, aproximadamente 27% do território estadual. Cerca de 64% de toda a área do bioma fica no estado.
A região pantaneira reunia, em novembro de 2024, cerca de 4,19 milhões de bovinos, o que corresponde a 22,3% do rebanho estadual. São cerca de 3.708 propriedades rurais cadastradas, e a pecuária de corte responde por 76,18% das pessoas ocupadas no Pantanal sul-mato-grossense. Em 2024, a região movimentou 1.717.111 animais para engorda.
Dentro do bioma, Corumbá é o município com o maior rebanho. Entre 2014 e 2023, respondeu por mais de 60% do gado do Pantanal sul-mato-grossense. Em 2023, eram 2.061.463 cabeças, segundo a Iagro. É também o município do estado com a maior proporção de animais com mais de 36 meses, reflexo do perfil de cria da pecuária pantaneira.
Pecuária pantaneira em destaque nacional
O resultado reforça o peso da pecuária pantaneira na economia de Mato Grosso do Sul. Em Corumbá, a criação de gado de corte acompanha a história da ocupação do Pantanal e se mantém como uma das principais atividades econômicas do município, com sistemas de produção adaptados ao ciclo das cheias e das secas.
"Ver Corumbá entre os maiores rebanhos do país há mais de 20 anos é o reconhecimento de gerações de produtores que fazem a pecuária no Pantanal com dedicação e respeito ao bioma. A cria pantaneira é uma das principais bases da cadeia da carne em Mato Grosso do Sul. E nosso estado, que completa 49 anos, foi construído em grande parte no campo, e o Pantanal faz parte dessa história. O Sindicato Rural de Corumbá segue ao lado do produtor para que essa atividade continue forte, sustentável e valorizada", afirma o presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Stefano Rettore.
Cenário nacional
Segundo o IBGE, o rebanho bovino brasileiro somou 234,3 milhões de cabeças em 2025, queda de 1,7% em relação a 2024. É a segunda redução anual consecutiva e o menor efetivo desde 2022. A queda é explicada pelo aumento do abate nos últimos quatro anos, em especial de fêmeas.
O Centro-Oeste, região onde está Mato Grosso do Sul, concentra o maior rebanho do país, com 72,2 milhões de cabeças, o equivalente a 30,8% do total nacional.
A pesquisa também aponta que o valor da produção pecuária brasileira chegou a R$ 141,2 bilhões em 2025, um recorde, com alta de 6,2% em relação ao ano anterior.
Mato Grosso do Sul, 49 anos
Mato Grosso do Sul foi criado em 11 de outubro de 1977, com a divisão do antigo estado de Mato Grosso. Desde então, o agronegócio, com a pecuária de corte à frente, tornou-se um dos pilares da economia sul-mato-grossense. Corumbá, maior município do estado em extensão territorial e porta de entrada do Pantanal, é parte central dessa trajetória.




